20/01/2007

SEMEANDO DESEJOS

Tomo emprestado o texto interessante do Luiz E. Cheida, que me chegou por e-mail e posto aqui.
"Quando possuímos poucas coisas, poucas coisas nos possuem.
Se é verdade, dificilmente agimos para que isso aconteça.
Antes disso, atuamos de forma oposta pois, desta forma foi que aprendemos.
Nos submetem, desde a infância, a uma verdadeira idolatria do gigantismo: o Maracanã é o maior estádio do mundo. A professora indaga pelas montanhas mais altas do mundo. Copacabana é a praia mais linda do mundo. Sua tia, para quem o sobrinho é raro superdotado, pergunta em voz alta, no almoço de domingo, os nomes dos rios mais extensos do mundo. Pelé é o maior jogador do mundo. Incrédulos, lemos sobre os filmes cuja produção foram as mais caras do mundo. O carnaval brasileiro é a maior festa popular do mundo. As revistas nos trazem as listas dos livros mais vendidos, dos carros mais rápidos, dos aviões mais super, e até das armas mais destrutivas. O Brasil, em terras ocupáveis, é o mais vasto país do mundo. Por fim, nos congratulamos, sem nem bem saber porquê pela fusão de empresas que, assim, se tornam as maiores do mundo!
Este culto ao imenso é a senha para entender que a aquisição de bens tem uma relação direta com a felicidade.
Ter é ser.
A idolatria do consumo.
É o nosso modelo de civilização que se reproduz semeando desejos.
São estes desejos que, transformados em necessidades inadiáveis, por pura estupidez, vampirizam a natureza, impondo frustração, desigualdade, alienação.
O resto você já sabe.
Ter é ser.
Ou seria o contrário?
Como dizia o pai do Verdi, dileto amigo meu, vivo na época em que ainda não tinham inventado esse negócio de ecologia:
Melhor ter amigo na praça que dinheiro na caixa."

Luiz Eduardo Cheida é médico e deputado estadual (PMDB) eleito no Paraná. Foi Prefeito de Londrina (1992 – 1996), Secretário de Meio Ambiente do Paraná e Membro titular do CONAMA (2003 – 2006).

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